quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Rapidinhas calégas da vida creusa

Tem feito frio em São Paulo nos últimos dias, e ninguém que esteve aqui nesse período pode negar isso. Alguém aí pode confirmar? Porque quase todas as pessoas que conheço aqui concordam comigo: tem feito frio em São Paulo.

Menos a caléga. Que não sei se está negando a própria menopausa, se é piriguete enrustida ou se não-tenho-culpa-se-no-Paraguai-a-gente-se-veste-assim. Mas ela fica revoltada com a gente quando colocamos um casaco ou comentamos que está frio.

Não é coisa do tipo: "ah, mas eu não estou sentindo frio...", não! Ela fica brava com a gente.

Eu coloco um casaco: "Caramba, NÃO ACREDITO que você está com frio!!!"

(lá fora faz 15º C com sensação térmica de 5º C)

Eu comento sobre o tempo como toda pessoa que não tem o que dizer e ouço uma risada irônica:

"Ahhh, tá bom. Está frio, né!" ou

"NÃO ME CONFORMO que você está passando frio!"

E fica brava comigo.

***

Conheço um deficiente auditivo que vende cacarecos nos ônibus há uns 8 anos, desde a época que fazia cursinho pré-vestibular. No começo a gente compra uma coisa, é educada. Afinal... ninguém aqui é Dath Vader pra maltratar, né.

Mas eu não gosto de capinhas de celular com uma cara enorme de sapo de pelúcia pendurada. Eu sou do mal, não gosto de coisas cuti-cuti. E parei de comprar porque nem sempre estudante tem dinheirinho sobrando.

Só que agora o cara vende as coisas no ônibus que uso pra voltar pra casa. E - caramba! - eu estou lá no meu soninho cristão depois de um dia aguentando a calegada e o cara ME CUTUCA até eu acordar pra mostrar a mercadoria dele.

Digo que não quero e volto a dormir. Pois ele ME CUTUCA NOVAMENTE pra mostrar outra coisa e me convencer a comprar.

E isso já me aconteceu várias vezes. Ele acorda todo mundo que estiver dormindo no ônibus. Alguém aí me ensina como se diz "Me deixa dormir, porra!" em linguagem de sinais?

Nunca mais comprei nada dele e lanço um olhar me-deixa-em-paz-senão-te-mato cada vez que me oferece uma nova capinha de celular cafona, senão ele não para de oferecer coisas.




(Alguém aí de bom coração vai pensar: "Aaaai, coitádoaaam! Ele é surdo!" Surdo é uma coisa. Mas precisa ser surdo E filho da puta?)



E ontem eu pego o mesmo ônibus, entro e ele está atrás de mim. O ônibus vira a esquina e a gente dá aquela desiquilibrada básica na vida de todo pobre.

O cara foi pro outro lado, mas ele conseguiu dar um passo digno de bailarina, esticou a perna e PISOU NO MEU PÉ. Com gosto, Brasil. Desde criança não levava uma pisada no meu pé com tanta vontade.

E ainda riu.

***

Caléga que tem galochas da Barbie tem tudo.

Ela chega do almoço com um novo pacote. Abre, veste e mostra pro chefe:

- O que achou, chefinho?

Eu estava batendo papo com a outra caléga, de costas pra cena. A caléga me faz sinal pra ver o que a outra vestiu.

Um casaco que ia até os tornozelos.



DE ONCINHA



(um minuto de silêncio em respeito ao bom gosto assassinado brutalmente)



- É uma saída de banho, chefinho! Comprei pra viagem que vou fazer com a minha nora pra colônia de férias!

Cena na minha cabeça: uma mulher andando na praia de Mongaguá com uma saída de banho de oncinha que mais parece um casacão.

Só me resta perder a fala.

.

Pela primeira vez tive pena do meu chefe.


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2 comentários:

Damine disse...

Psssiuuuu...

Chega aqui, baixinho pra ninguém ouvir:

deficiente visual = cego... e não surdo. Corrige lá. Corre, amigammmm

Anônimo disse...

nao entendi, ele era cego ou surdo?