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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mudei de ideia

Porque estou inconformada e tinha que encher o saco de vocês.

Pra começar, dia 28 de outubro é dia do funcionário público. E isso significa... PONTO FACULTATIVO, é claro! Mas esse feriado vai cair numa quarta-feira, então geralmente mudam para uma sexta ou segunda, para dar um feriadinho prolongado.

Se o tio Serra passasse para o dia 30 de outubro, seríamos sexta, sábado, domingo e segunda (dia de Finados) de folga. Mas como o tio é maligno e deve ter pensado que esse puta bando de pobre não precisa de feriadão em fim de mês (só recebemos no quinto dia útil) porque não vai ter grana pra viajar, mesmo. Então ele passou o feriado para o dia 26 de outubro, próxima segunda. Teremos então dois fins de semana consecultivos seguidos de feriados.

Vocês devem estar pensando: "Deixa de ser folgada, porra! Tá reclamando de quê? Um feriado já não é melhor do que nenhum?" É claro que é. Por mim podia ser até na quarta, mesmo. Não vou viajar (sou pobre).

Mas nosso digníssimo governador, não satisfeito com isso, decidiu que os gabinetes das secretarias estaduais e os coordenadores NÃO TERÃO FERIADO. E onde a caléga aqui trabalha, amigos? No gabinete do Secretário, é claro. Ou seja... a amiga aqui vai acordar na segunda bem cedinho e vai colocar a carcaça branca pra trabalhar. Ou melhor, pra ficar na net o dia inteiro porque não vai ter porra nenhuma de trabalho (mesmo porque ninguém estará muito a fim).

 Portanto, calégas federais, pensem muito bem no seu feriadinho em 2011 quando votarem no ano que vem para presidente. Vota no PSDB quem quiser, mas se Serra for candidato... arrisquem. Eu já sei há muito tempo que esse Zé Vampir não é de Deus, e provo com esse flagra:



Chega perto dele com bafo de alho pra ver o que acontece!
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Enquete

O quê devo dizer ao meu caléga-mor depois que pedir exoneração?





a) Muito obrigada pelo período de aprendizado. Tenho certeza de que essa experiência me ajudará muito nessa nova etapa da minha vida.

b) A gente se vê por aí... se algum dia você tiver capacidade pra passar em algum concurso em Brasília. Mas até lá eu já estarei em Paris.

c) A gente se vê por aí... se você der a bunda pra algum deputado e ganhar um cargo em comissão em Brasília.

d) Morra de inveja, seu %**$*&##! Enfia essa Secretaria no *%#$@&*! A essa altura, já deve caber.

e) Agora eu vou no Departamento de Recursos Humanos contar que você chega meio-dia todo dia e coloca outra pessoa pra fazer teu trabalho e que fica o dia inteiro no telefone com os teus casinhos, posso?

f) Esse teu cabelo chanel alisado com enê maru te deixa com cara de bicha pobre cafona.

g) Tchau. Mandarei postais.





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Isso dá uma idéia do meu dia hoje?



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ps: estreando nova tag: Geni du jour

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Moda caléga

Regra do funcionalismo público: a moda congela no ano em que você toma posse.

E como um dos últimos concursos daqui foi na década de 90, imaginem vocês o que presencio todos os dias. Agora mesmo, por exemplo: tailleur anos-90-te-chamam azul celeste, meias finas cor da pele 2 tons acima e sapatos brancos de bico fino. Nos cabelos, uma singela piranha verde limão.

[Nada contra bico fino, mas não fazem o meu tipo. Muito "uniforme da empresa de purificadores de água na Paulista" pro meu gosto. Principalmente aqueles tão finos que as pontas até ficam meio amassadas. Se tiver um zíper pra enfeitar, então... passem longe de mim!]

Aqui vai uma lista das sooper tendências daqui e umas fotos pra você se inspirar. Quem quer ser caléga já vai dando um up no guarda-roupa:


- Calça jeans com bordados e apertada pra burro, blusinhas bem soltas que deixam os ombros à mostra ou bem decotadas, cabelos minha-chapinha-não-funciona-mas-eu-tento, brincões de argolas e sandália com salto plataforma de cortiça. Variação: estampas de oncinha e botas super poderosas. Muitas puseiras e anéis. Sonham com um namorado que as leve para passear no Vectra deles. Ou as leve para morar num bairro mais chique, porque moram looonge. E ai deles se não devolverem o chip delas!

Salto pra quê, se toda hora a gente tem que descer dele? Plataforma é tudo!




Essa já conseguiu o marido e agora se diverte no shopping. Exemplo de perseverança.





- Calça jeans, jaqueta quero-ser-michelin e tênis de corrida: inspirada na moda das ruas (street fashion bombando). Às vezes uma bota pata-de-bode (coisinha chique, não?). Cabelos: presos com um bico-de-pato ou emplastados de Kolene. Independe de idade, infelizmente (mas não recomendo se tiver mais de 22 anos). As mina na fita...



Melhor ainda se a plataforma for vazada com um desenho de flor


Quanto mais michelin a jaqueta, melhor. Bombou em NY em 2004.


- Calça social apertada que nos permite adivinhar a marca e o lote da calcinha e contar furinhos de celulite. Camisa branca feminina com um decote que parece dizer "chefinho, dá um cargo em comissão pra eu?". Óculos escuros bafônicos segurando os cabelos e bronzeamento artificial sempre em dia. Sandálias ou sapatos de bico fino de salto o ano inteiro. Geralmente solteiras depois dos 30 anos. Gostam de passar uma imagem profissional (só erram nos tamanhos das roupas). Sonho: ser amante do chefe.



Vocês ainda não viram a parte de trás...



- Blusas em linha com miçangas bordadas nas golas. Quanto mais exagerado o bordado, mais as velhinhas piram de amores. Algumas sacoleiras vendem aqui dentro mesmo, ou são compradas na "loja dos crentes" na General Carneiro. No verão, são substituídas por batas. Acompanham calças bem comportadas ou saias jeans com detalhes. Geralmente são mães e avós.



Essa tá pobrinha, mas também tá linda




Geeente, que blusa linda é essa?






Quero todas as saias já! A assimétrica da direita é tendência!



- Ombreiras. E nem são peças Balmain. Acompanhadas de botões dourados. Dos grandes. Cores favoritas: pink, roxo, magenta, vermelho aberto. Estilo vintage dos pés à cabeça (se os anos 80 e 90 foram vintage).



Saudade dos meus 20 aninhos!



Ainda uma referência. Deusa!




Ainda tenho muito a aprender com eles, mas estou me esforçando.




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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vade retro...

Tia Zu com sua delicadeza e classe de sempre:

- Você continua arquivando os despachos nas pastas erradas!!!

E eu espantada? Poxa, estou prestando tanta atenção!

- Sério?

- É claro!! Se eu não estou achando o despacho que estou procurando, é porque você deve ter arquivado errado de novo!

Ahvaiprapootaquepariufiladumaéguatomaumavoadoradelouboutin...

-Ah, tá bom.

Dei as costas e continuei escrevendo meu e-mail.

Dios! Me desculpei, estou prestando mais atenção, prometi o harakiri. Quer que faça mais o quê?? Me juntar a outros pecadores e empesteados numa peregrinação à Terra Santa pra me redimir?








O despacho foi encontrado em outra sala, e não foi arquivado errado. Mas a essa altura já estava longe com o peregrino Zenone e ela não pode me pedir desculpas, coitada.


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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Resoluções de culto evangélico

A pessoa vai num culto em uma igreja, se emociona com o sermão. Chora, se arrepende e promete a si mesma que não vai mais mentir, que não vai mais olhar pra mulher do vizinho, que vai ler a Bíblia todo dia e vai sair da maconha.
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Então sai da igreja e quase quebra o pescoço pra olhar pra saia curta da loira que passa na rua.
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Pois eu faço coisa parecida todo dia... em vez de ter resoluções só no ano novo e aniversários, preciso tomar decisõezinhas na minha vida pra deixar de ser menos neurótica o tempo todo.
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Resoluções du jour:
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Em vez de remoer problemas, procurar uma solução. Geralmente é mais simples do que se pensa.
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Não perder neurônios com quem não merece. De que adianta pensar nessas pessoas se a força do seu pensamento não as fará explodir?
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Não é pra ficar tentando ser melhor, fazer mais caridade e menos fofoca. Mas tentar não ligar pra picuinhas. De que adianda beijar mendigo e ficar pensando que aquela caléga de trabalho deve estar tendo um caso com o chefe?
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Não imaginar situações que talvez (TALVEZ!), num presente ou futuro ou passado existam ou tenham existido e sofrer horrores imaginando todos os detalhes da cena.
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Ignorar que existe uma anta vigiando a tela do meu computador agora. Afinal, ele deve estar no Orkut.
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Não ficar puta da vida se Lu desmarcar o encontro de hoje.
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Não gastar dinheiros a mais na 25 de março na hora do almoço (só se fôr o Top Coat Matt Plus da Big Universo... rapazes, procurem no google).
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Não tentar explodir mentalmente a cabeça dessa mulher que teve um piti no meio do sexto andar só porque arquivei papéis na pasta errada. Pedi desculpas, mas queria mais o quê? Um harakiri no saguão do prédio?
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Lembrar que amanhã é sexta-feira e que a tortura irá acabar às 17:00 hrs.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Fim de mundo, caléga?

Fim do ano estou indo ao Nordeste pela primeira vez para conhecer meus sogros. Primeira vez porque devo ser menos do que classe média e nunca paguei um pacote da CVC. É que na boa... buggy, trio elétrico e skibunda não são coisas que me atraem muito. Deixemos o Axé enterrado nos anos 90.

[aliás, até hoje tem um CD "Axé Bahia" lá em casa com duas bundas na capa usando shortinho de Carla Peres. Alguém levou ao aniversário de 12 anos do meu irmão há trocentos anos atrás e esqueceu. Aposto que o dono esquecido não foi atrás com medo de ser identificado com tamanho mau gosto.]

Então a caléga vem aqui na minha mesa jogar conversa fora. É a única caléga para quem eu conto as coisas, porque ela não é invejosa e não passa pra frente porque acha que todo mundo vai usar isso contra ela um dia (paranóia é pouco). Então ela pergunta:

- E o que você vai levar de presente pra sogra, hein?

[Ela se empolga com a minha vida. A dela é muito chata.]

- Ah, estou pensando em levar um jogo de cama bordado.

Porque eu fiz um curso de patchwork e aprendi um bocado de coisas. Bordo, faço tricô, crochê, assovio e chupo cana. E eu sempre faço apliques de tecidos recortados em formato de flores e outras coisas fofas e mamãe faz o caseado em volta. Fica um chuchuzinho de fofo. Todo mundo gosta de ganhar de presente, e patchwork é um troço caro pra caramba por aí. Será que um jogo de cama 300 fios não é um presente bom?

Mas caléga fez careta:

- Ah, não! Isso tem de monte lá no Nordeste! Todo mundo lá faz bordado, faz renda... Leva uma coisa que não tem lá!

[Detalhe: caléga tem uma lista de justificativas para falar mal dos nordestinos. Ou melhor, "essa gente nortista", segundo ela. ]

Ok... coisa que não tem lá? Vamos ver... no Nordeste tem: comidas típicas e folgedos (livro de Estudos Sociais mode on), renda, latifundiários e seus filhos libidinosos, a família do Sarney e do ACM, fogão a lenha, casinhas caindo aos pedaços, chapéu de couro, fitinha do Nosso Senhor do Bonfim, devotos do padim padi Ciçu, mandacarus, gente falando mole, mamulengos, redes, pescadores, macumbeiros, cachorros com nome de Baleia, repentistas pé-no-saco, forró, terra rachada de secura, cabeçudos e pobreza, muita pobreza.

Certo?

Então vou levar uma coisa que não tem lá. Que tal... um liquidificador??? Xi... será que tem tomada pra ligar? Será que vão saber o que é patchwork?

Poxa vida... em Recife tem Livraria Cultura, e pra mim isso já é sinal de civilização avançada. Inclusive tô com uma lista de coisas para comprar em lojas de lá que não têm nada igual em Sampa City (e não são lojas de bibelôs e outros porta-pós-na-estante locais). Tem shoppings bapho, tem internet (ohh, pasmem!), tem moda e até similares da Daslu (oi, Dona Santa?). Lá também tem gente rica e tem até classe média que paga pacotes da CVC pra Serra Gaúcha ou pra Buenos Aires! Ou seja... tem tudo o que tem aqui, só que eles não falam com o nariz entupido como nós paulistââânos, meu.

Só não têm 25 de março. Morram de inveja.

Fim de mundo é Itajuba-SC, que há dez anos só tinha uma sorveteria e uma coisa que eles chamavam de shopping que era um galpão com stands de bijuterias e roupinhas de praia vagabundas que abria às 16:00 hrs (sim, QUATRO DA TARDE!). E hoje em dia tem uns 3 barzinhos no centrinho, graças a Deus.

[E nos anos 90, loiras locais dançando axé na varanda de casa].

Já sei! Vou levar um pen drive de 64 gigas do marreteiro do centro por 20 reais pra sogrinha. Aposto que isso não tem lá.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lei da Mordaça ainda existe?

Porque talvez eu esteja infrinjindo a lei. Eu ia responder um comentário com outro comentário, mas preferi transformar em post.


Pra começar, minha implicância com o Serra é pessoal. Já o vi aqui na Secretaria e POUTZ, ele é feio, gente! Branquelo, corcunda... um Nosferatu com mais cabelinhos na cabeça.


[Na verdade eu não tenho simpatia por político nenhum, por partido nenhum]


Minha família é cheia de funcionários públicos. Tios avós, tios, minha mãe e eu. Todos concursados, diga-se de passagem. Então posso falar do que acontece aqui onde trabalho e sobre o trabalho da minha mãe e tios, embora mamãe e titias sejam enfermeiras (minha tia trabalha no SAMU e é campeã e resgate de bêbados que não têm o que fazer).


E, ao contrário do que todo mundo pensa, funcionário público trabalha MUITO e ganha uma miséria pra isso. Tem gente aqui que corre o dia inteiro, fica além do horário quase todo dia e não ganha hora extra. Ganha um vale alimentação de 4 reais por dia, não recebe todo o valor do transporte público que usa no mês e fica 13 anos sem aumento.


"Mas você vive dizendo que não faz porra nenhuma!"


Sim, eu não faço. Porque o trabalho aqui na minha seção é pouco e há muitos funcionários, porque meu chefe acha que se ele tiver muitos funcionários todo mundo vai pensar que a seção dele é importante. Eu faria bem o trabalho de 4 pessoas aqui e não ficaria sobrecarregada (como já fiz, quando resolvem faltar). Mas eu sou um caso à parte entre as pessoas que entraram comigo e batem cartão, tem uma horinha certinha pra almoçar, não recebem gratificação, etc. Além disso, eu trabalho no gabinete, onde o trabalho é mais burocrático do que no resto da Secretaria, e portanto mais lento e cheio de detalhes. Se não for detalhado e se não enchermos cadernos com processos que entram e saem e não arquivarmos tudo direitinho, não seria possível fazer uma investigação quando fizessem merda, certo?


Mas o que acontece especificamente aqui é que a maior parte dos cargos são cargos em comissão. E boa parte deles é cabide de emprego. E na boa... sobra gente. Mas não mandam embora porque um está aqui há muito tempo, porque o outro tem filhos, porque o outro sabe demais, blablabla.


E o perfil do servidor público está mudando. Há alguns anos a tendência é preparar melhor o servidor, dar prêmios por produtividade, avaliar o trabalho dele de tempos em tempos. Parece que procuram também aumentar o número de concursados e diminuir o número de cargos em comissão (porque às vezes esses cargos não são específicos e podem fazer um concurso pra ele). Então só entra quem passou pela avaliação - cada vez mais acirrada - do concurso, e não o cara que um funcionário indicou, o namorado da neta...


Os funcionários novos são mais dinâmicos, mais preparados. Os que entram em cargos de nível médio geralmente têm nível superior ou cursam faculdade. Muitas vezes tiveram experiência em empresas de grande porte. E bem lentamente a administração pública tem procurado deixar sua tendência burocrática para assumir uma postura mais gerencial.


No entanto ainda temos os funcionários pré-históricos. Não de idade, mas com uma cabeça de funcionariozinho que tem suas regalias, que faz tudo no ritmo que quer, que presta mais atenção nos detalhes do processo do que no processo como um todo. Vou exemplificar com frases que ouvi de calégas:


"Eu vou descansar 15 minutinhos antes do almoço e 15 minutinhos depois do almoço" (ué, hora de almoço já não é pra descansar? Ou você come tão afobadamente que sua feito um porco e se cansa?)


"Chefe precisa ter suas regalias. Ele não está aqui pra trabalhar, está aqui pra mandar. Ele pode chegar mais tarde e sair mais cedo." (Até onde sei o chefe trabalha tanto ou mais do que os outros. E se ele só serve pra mandar, que pelo menos chegue cedo pra fiscalizar o serviço dos outros. Mas se nem pra isso serve... chefe pra quê? Pra dizer pros amigos que ele é chefe?)


"Eu chego atrasada, mesmo. Se eu chegasse na hora a gente não precisaria de chefe. Então justifico o cargo dele." (hum... precisa comentar?)


Olha... se eu pudesse exonerava metade desse prédio e ele continuaria no mesmo ritmo. Tá, sou malvada, tenho mente capitalista e devo estar mentindo que odeio o Serra. Mas tem gente que não faz mesmo questão de trabalhar e empurra pros outros. E se ainda fosse concursado.... mas não, geralmente tem um cargo em comissão. Então, meu filho, ganhar salário pra não fazer nada... é jogar merda na cara do contribuinte.


O assunto vai longe, mas aos pouquinhos volto a ele num post ou outros. Porque criticar caléga é meu esporte diário.



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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A gente só quer ter dignidade!

Tio Serra, chefinho querido! Não voto em você nem se me privarem da base em mousse da Maybelline. Mas tu é um tchutchuco que vai dar aumento de 40% pro meu cargo pra quem tiver curso superior. Isso não vai fazer diferença pra mim porque só é válido pra quem tem mais de 5 anos de caleguisse, e eu vou sair daqui antes disso.

Mas aqui na minha sala somente o meu cargo foi contemplado com o aumento. Adivinha? Neguinho odiou, disse que queria que essa aumento explodisse (beesha adora ver tudo explodindo, virando purpurina!) porque ele não teve aumento. Outra caléga (a invejosa) disse que isso não era justo, pois já tive um aumento no ano passado e agora outro. E ela, que faz o mesmo serviço que eu (ou seja, porra nenhuma) não teve aumento porque o cargo dela é em comissão e específico da Secretaria.

Primeiro, meu cargo não tinha aumento há 13 anos. E vocês sabem o que é salário congelado por 13 anos no Brasil? E te torturar lentamente. Então ano passado tive um aumento (tio Serra, meu salvador, vou fazer uma poesia pra ti... NOT) de menos de 200 reais.





Mata logo e para com a palhaçada, vai!




Segundo, nós fazemos o mesmo serviço, mas o cargo dela tem um salário maior do que o meu. Mas isso é justo, néam, caléga! Afinal, você é mais bonita do que eu!

Ela ainda justificou que tem 20 anos de Secretaria e eu só um ano (ops, quase dois, miga!). Olha, se neguinho tivesse que ganhar mais só porque está aqui há mais tempo, 96% do prédio ganharia uns 20 mil reais por mês. Porque clínica geriátrica mandou um beijo e tá pedindo seus pacientes de volta. Quando entrei aqui, todo mundo tomou um susto porque não deviam ver gente com menos de 30 anos há muito tempo.

[nada contra os idosos. Meus calégas aqui são avós e até bisavós, e vivo comendo de graça nas festinhas de 70 anos da galera. Mas cara... odeio essa política de vamos fuder com o neófito, huahuahuahuahua (risada maligna mode on). Respeito quem trabalha direito, não quem acha que não precisa mais trabalhar e pode receber salário no lombo do esforço alheio só porque está aqui há mais tempo que eu.]

Sem falar que é uma forma de incentivar quem faz faculdade, pós-graduação. Quando mais bem qualificados os funcionários, melhor para o contribuinte que paga nossos salários e merece um serviço de primeira. O pessoal das antigas ainda acha que se trabalha está fazendo um favor, e não que é um servidor (DO) público.

E por último... inveja é muito feio, gente. Deixa a gente ter aumento sem ódio no coração, deixa! Se eu dissesse pra vocês quanto eu ganho, diriam que esse aumento é uma caridade do tio Serra com os pobres aqui.


PS nada a ver:


Conselho de amiga: não googlem o seu caléga-mor! Se ele fôr ator nas horas vagas você pode achar até foto dele vestido de mutante pra teste antigo na Record. Epa, falei demais!)
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desventuras públicas: inveja


Tá, isso está parecendo cardápio de igreja Universal. Só não incluo os problemas financeiros porque esses já são subentendidos: demora uma era pra funcionário público ter aumento. E quando tem, é o suficiente pra comprar um sorvete a mais no fim de semana. Não pode mais porque o governo nunca tem dinheiro sobrando (precisa pagar passagem de primeira classe pra governador, secretários e amantes) e porque a imprensa cai matando (imprensa reacionária não gosta de funcionário público porque eles "já ganham muito, são folgados e são muitos"... enfim, porque Governo não é empresa privada).
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Mas se você, caro neófito, é jovem e não tem filhos... cuidado com o olho gordo! Quem tem mulher e filhos pra criar já gasta todo o seu salarinho com eles e no fim de semana vai comer Mc Donald's no shopping, e nas férias vai pra colônia de férias do sindicato. Já os solteiros... podem ter algum dinheiro sobrando, dependendo do salário. Pior os que ainda moram com os pais e não têm dívidas para assumir, tendo todo o salário à disposição.
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Olha... eles não têm culpa de não terem se casado e tido filhos. Nem são malvados porque não querem doar o excedente do salário para a caridade. Esses calégas mais jovens, portanto, vão sair com os amigos nos fins de semana, comprarão roupas legais, aparelhinhos eletrônicos e nas férias viajarão pro Nordeste, pro litoral norte, pra serra gaúcha... pagarão a CVC em 10 vezes sem juros e nem ficarão no vermelho.
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[Olha, meu salário é uma miséria. Mas eu pago algumas coisas lá em casa e tenho o resto pra mim. dá pra comprar ao menos uma peça nova de roupa por mês, um livro, produtinhos de beleza e dá pra comprar passagem em promoção pra passear nas férias.]
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O que seus calégas pensarão de tanto esbanjamento? Eles vão odiar, porque não têm mais o que fazer. E muitas vezes até recebem mais e sobra mais pra eles, mas preferem gastar num celular que toca música, tem tv a cabo e dança macarena.
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Conselho: disfarcem. Não contem destino de férias, e se voltarem bronzeados falem que estava o maior furdunço em Praia Grande e você assistiu o show do Revelação na areia.


Temos até trilha sonora pras férias calégas sem inveja!


Imprima colorido e diga que você está dentro do carro, na direção: férias comprovadas!


Porque eu acredito em olho gordo.
Exemplo:
1) Nabita leva a mala de viagem pro trabalho porque saindo dali irá para a casa da amiga com quem viajará no dia seguinte pra Vitória - ES.

Caléga olha pra mala e diz: "Eita, inveja, hein!"

Resultado: Nabita perde o avião porque o alarme do celular que toca todos os dias não quis tocar naquele sábado.


2) Caléga jovem e solteiro compra uma moto. Calégas mais velhos olham torto: "Tá sobrando, hein!"

Resultado: moto roubada alguns meses depois.


Ok, podem ser coinciências... mas a vida de todo mundo aqui afunda perto de algumas pessoas: mulher perde o marido, rapaz leva chifre da namorada, time de futebol começa a perder, o filho cai na maconha...

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Desventuras públicas: medo e outros encostos

Não é necessário ser moreno, alto, bonito e sensual para ser um funcionário público vítima da inveja. Na verdade essas qualidades acima podem até te ajudar no Merr... - ops - em alguns órgãos públicos.

Porém, quando se entra através de um concurso público, as coisas podem complicar. Primeiro, porque nem todos os seus calégas são concursados. Alguns deles terão cargos em comissão, que são necessários para serviços mais especializados ou chefia. Acontece que nem todos os cargos em comissão são lá muito úteis: alguns deles são apenas cabide de emprego.

E alguns dos calégas com cargos em comissão não fazem diferença nenhuma ali dentro (não generalizo, mas isso acontece). Eles não são mandados embora porque estão lá há muito tempo e se transformando em patrimônio físico do órgão público, porque tem filhos, marido doente ou um bom padrinho.

Então você chega com um cargo efetivo. Essa pessoa está sobrando. Ela naturalmente ficará na defensiva... a tendência atual é substituir comissionados por concursados, e o cerco está se fechando (bem lentamente, como tudo o que envolve a administração pública). Então ela pode tentar prejudicá-lo ou mostrar que o serviço dela é mais relevante do que o seu. Ela vai trabalhar direito, então? Não... vai tentar provar que você é que é incompetente: se puder vai te dar o serviço mais imbecil da repartição, ou te dará serviço sem te ensinar como se faz. Chamará a tua atenção cada vez que cometer um erro mínimo (carimbar dois centímetros acima do lugar do papel a ser carimbado) e fará a cabeça do caléga-mor contra o novato.`

O papel do funcionário com cargo em comissão pode ser substituído pelo estagiário, que tem prazo para sair de lá mas tem esperanças de se formar e abocanhar um cargo em comissão.
Se você tem capacidade para fazer um bom trabalho, um abraço. Quando quiser dar a sua opinião, alguém vai dizer (na sua frente ou pelas costas): "Mal chegou, já está querendo mudar tudo??"
Aconteceu aqui: um rapaz entrou numa seção com pessoas legais que o valorizaram. Logo foi designado para uma função, começou a substituir a chefe nas férias dela. Mas outra seção que trabalhava diretamente com eles resolveu se amotinar contra o rapaz, porque ele "já queria mudar tudo, era metido a besta, achava que era doutor". E ele só pediu para retirar uma palavrinha nos ofícios.

Quanto menos concursados tem um órgão público, mais recorrente é esse problema do medo em relação aos novos funcionários.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Desventuras públicas em série: a recepção

Não, eles não receberão você de braços abertos para ajudá-los em suas tarefas árduas. Aliás, a impressão que passam é a de que não há motivo para o governo empregar ainda mais gente: "Mais um pra ficar aqui de braços cruzados?"
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Entenda: agora você é um dalit!




Nosso mascote!

Os comentários podem até mesmo ser mal-educados:
1) Se você tem curso superior e tomou posse de um cargo de nível médio, provavelmente ouvirá (como eu ouvi): "Mas você fez faculdade! O que está fazendo aqui? Devia procurar alguma coisa lá fora primeiro, e depois vir pra cá se não tiver mais nada!".
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Acontece, filhinho, que lá fora NÃO HÁ OPÇÃO! Você está aqui encostado há 30 anos e já perdeu a noção do mundo. E faculdade hoje em dia não garante emprego de ninguém. Com os Prounis da vida, todo mundo faz faculdade.


2) Se você tem uma vasta experiência profissional: "Mas se você fez tudo isso, por quê largou pra vir pra cá?"

Nem sempre nós largamos. Às vezes nos largam, hehe. Aí fazemos o que aparecer para continuar vivendo, inclusive concursos públicos. E também há aqueles que preferem ganhar menos e ter estabilidade, um trabalho menos estressante. De qualquer forma, seus motivos para estar ali são problema seu e de mais ninguém!


3) Se você é muito jovem: "Ih, se prepare para ficar aqui até os 70 anos...".

Animador demais quando você só está tapando um buraco da sua vida e não pretende ficar por lá. Porém, você tem possibilidades de sair, passar num concurso melhor ou até mesmo conseguir um cargo em comissão ou de confiança por lá. Quem diz isso não conseguiu nada disso, continua na mesma mesa fazendo a mesma função de merda e já torce desde já para que você termine como ele.



E tenha em mente a regra de ouro do funcionalismo público:
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"Quem chegar por último é a mulher do padre!"


Tradução: Não importa o seu currículo; se você fala inglês, francês e javanês e já foi alto executivo de uma puta multinacional. Você vai começar fazendo os piores trabalhos da repartição. Os antigos têm um prazer abertamente sádico nisso: é a única diversão para suas vidinhas desgraçadas. Tudo aquilo que eles odeiam eles jogarão pra você: numerar páginas de processo, tirar xérox de 400 páginas de uma vez, levar documentos para outras seções, fazer café. Alguns rirão pelas suas costas, outros na tua cara mesmo.


Ainda há a possibilidade de você ser ignorado totalmente. Eles simplesmente não te ensinam nem a ligar a máquina de xérox e você passa 8 horas por dia olhando pro teto durante um ou dois meses até que eles resolvam te ensinar algo porque um caléga vai entrar de férias e precisa ser substituído. Alguns deles ainda te olharão feio porque você não faz nada pra ajudar (!). E quando te ensinarem o serviço, ensinarão errado pra você fazer merda no começo e eles se divertirem um bocado depois de te darem uma bronca.

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Existe solução pra isso?


Sim, mas dependem da tua sorte:


a) Cair numa seção com pessoas legais. Acontece, mas não sonhe muito alto.


b) Ter um padrinho foda no mesmo órgão. Nesse caso, eles farão tudo mais sutilmente pra te prejudicar.


c) Unir-se aos neófitos que entraram no mesmo concurso que você: porque em breve vocês já estarão mais à vontade lá dentro e um ajudará o outro. Isso é importantíssimo! É uma solução a longo prazo.


d) Esperar outro funcionário novo entrar na sua seção. Foi o que me salvou. Então todas as tarefas de nojentas que me davam foram passadas para ele.
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Deve ter alguma vantagem nessa história toda. Mas na boa... agora não estou lembrando. Só que essa é uma série de desventuras, então falarei dos podres. Não digo que ninguém presta: fiz bons amigos, aprendi muita coisa a respeito da natureza humana e às vezes temos surpresas boas como uma proposta de cargo.
Só não vale ter espírito de escravo de Brás Cubas e castigar novos servidores quando você já tiver algum tempo de casa. Isso é coisa de gente infeliz.
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Novela caléga

A caléga me contou e jura que é verdade. Essa é mais uma das histórias apaixonadas da Secretaria e de tantos outros órgãos públicos. Trocarei os nomes para preservar a identidade dos calégas envolvidos.

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Roberto de la Vega era um diretor de uma repartição pública, assim como Maria Josefina. Ambos eram casados, mas esses dois calégas tornaram-se amantes. Maria Josefina era uma chefe muito má: não deixava seus funcionários chegarem atrasados sem descontar (reação de calégas ouvindo esse absurdo: OOOHHHH!!!) e ninguém gostava dela.

Até que um dia o marido de Maria Josefina, Alberto José, descobriu que a mulher o enganava. E planejou uma vingança...

Um dia Maria Josefina e Alberto José foram para Acapulco (A.K.A. Praia Grande), mas curiosamente Alberto José quis que fossem em carros separados. Em plena Serra do Mar, o carro de Maria Josefina não obedece mais seus comandos e os freios falham... seu carro sai da pista e capota serra abaixo.

Mas Maria Josefina não morreu! Ficou tetraplégica, e a partir daí dependente do marido. Ela não podia acusá-lo de nada, pois mal conseguia se expressar. Roberto de la Vega a abandonou completamente, e arranjou outra amante caléga.

Alberto José então passou a administrar os bens da mulher traíra e ainda assumiu a responsabilidade por seus sogros. Passou a maltratar os sogros velhinhos na frente de Maria Josefina, que nada podia fazer.

E foram infelizes para sempre.

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Televisa, pode dar uma passadinha aqui. Garanto choro e ranger de dentes.

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vergonha alheia!

Olha, eu não poderia ficar aqui digitando, mas não resisto. Porque aconteceu um desastre aqui no meu trabalho. O caléga-mor (meu chefe) demonstrou que passou umas dez vezes na fila da cafonice. Eu nem devia estar falando mal de caléga-mor porque isso dá pepino, então vou rezar pra ele só encontrar esse blog quando estiver no MRE, bem longe daqui.
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Ele fez um painel como fotos dele. Até aí tudo bem... é aquela coisa que as meninas adoram fazer na adolescência. O problema é que nesse painel ele colocou fotos com a cantora preferida dele (ele é presidente do fã clube dela, acho), e tietagem explícita é cafona. Também colocou fotos de infância e uma foto - DIOSSSS - dele na praia, de sunga, mostrando a marquinha de sol!
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Até aí tudo bem pra vocês? Até aí! Porque agora eu digo que ele colocou esse painel na parede, AO LADO DA MESA DE TRABALHO dele aqui da seção. Como pode, gente, como pode? Uma foto em cima da mesa já precisa ser discreta, mas e um painel com fotos de sunguinha no seu local de trabalho, na parede??? É pra mostrar que tem foto com cantora pseudo-famosa? Isso é muito pobre, meu filho! Agora só falta mudar o nome pra Creuza e fazer churrasco na laje ao som de Wando só de bermuda coton e "bustiê" porque tá muito calor em Bangu.
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Imaginem vocês que precisam resolver algum pepino em alguma secretaria de Estado. Um lugar austero, num prédio antigo, cheio de funcionários cheirando a naftalina. Sim, tudo muito respeitoso. Aí chegam na mesa de um chefe de seção nessa secretaria de Estado e se deparam com a foto dele na parede de sunguinha! Você vai respeitar esse serzinho com quem precisa resolver um problema? Não! Você vai olhar pra ele e imaginá-lo de sunguinha azul royal saltitando como bambi na praia. Situação difícil, não?
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O chato é que ninguém mais íntimo dá um toque. Eu nem olho, morro de vergonha por ele. Morro de vergonha de ter um caléga-mor tão cafoninha, gente. Torço para que no MRE (Merré, pros íntimos) eu encontre um chefe muito chique que me dê bronca porque meus sapatos não combinam com a cor do meu cabelo. Juro. Melhor do que isso. Quero trabalhar com gente beesha, elegante e sincera. Por enquanto só encontrei a beesha.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eu tenho uma missão!

Evangélico me adora. Não sei se é porque tenho carinha de santa ou se eu tenho cara de pecadora pedindo pra ser salva.

Ontem quis enrolar o trabalho e fui tomar um café. Alguns faxineiros vem aqui na minha sala tomar café todos os dias, e ontem não foi diferente. Mas havia uma que eu não conhecia, talvez fosse de outro andar. Então essa me pergunta, séria:

- Você é evangélica?

Respondi que não. E fiquei apreensiva com o que viria logo depois. Ela continuou, mais séria ainda e apontando o dedo pra mim:

- Pois Deus mandou eu te dizer que Ele tem grandes planos pra você. Ele vai te colocar num lugar pra engrandecer o nome dEle e não vai te tirar de lá. E vai ser no ministério do louvor.

Olha, não foi nem cara de paisagem que fiz... foi cara de bunda, mesmo. O quê se responde numa situação dessas?? Eu murmurei um:

- Ah... tá bom. Deixa eu voltar pro trabalho...

Mas antes ela perguntou meu nome... e o pior é que tenho o mesmo nome de uma cantora evangélica chata pra burro. Murchei. Queria que o chão me engolisse. Porque eu não discuto religião com ninguém, mesmo que tenha argumentos. Eu é que não vou destruir o mundo de ninguém. Saí de fininho.

Essa não é a primeira vez que evangélico pega no meu pé. Há alguns anos passei o Natal na casa de conhecidos. Mas esses conhecidos tinham uma parente com eles... que já estava bêbada antes da ceia. Afinal, o marido a tinha trocado por uma moça mais nova e ela estava se recuperando ainda. O problema é que ela cismou comigo e me contou a história mil vezes. E eu sou educada até demais... ouço e não tenho coragem de dar desculpa e sumir. Se eu ganhasse um real por cada vez que ouvi um "então eu disse pra vagaba: rebolou pro meu marido, vai ter que rebolar pra mim tambéeeeeem!" (detalhe: tudo isso contado com sotaque carioca de baile funk) (detalhe 2: ela disse isso antes de dar um cacete na mulher que roubou o marido dela).

Até aí tudo bem... é mais um bêbado que cisma comigo (por quê bêbado gosta de importunar quem não bebe? Eles olham pra mim e já vem cambaleando pro meu lado... pareço ímã de bêbado). Mas quando chegou a hora da ceia ela interrompeu e disse que era evangélica (!!) e faria uma oração (!!!). Vocês sabem o que é um evangélico bêbado rezando por dez minutos, meus irmãozinhos em Cristo? Eu sei. Ela levantou as mãozinhas pra cima e começou:

- Senhor! Abençoe esta família, Senhor! Senhor! Tu sabes os problemas que eles enfrentam, Senhor! Derrame as tuas bênçãos sobre eles, protege os passos deles, Senhor! Senhor! Toca o coração de cada um aqui, para que todos se convertam ao tEEEEEEU PODEEEER, SENHOR!...

E isso por mais um bom tempo. Alguns não aguentaram e começaram a rir. Eu nunca segurei tanto o riso, acho que me fez até mal. E quando terminamos, ela ainda veio na minha direção e fez a pergunta falta:

- Você é evangélica?

E eu, que não aprendi ainda, disse que não. Ela olhou séria, pegou na minha mão e continuou:

- Pois eu senti enquanto orava que Deus te tocou, minha irmã.

Sim, tocou e fez cócegas, porque eu me segurei pra não gargalhar e ser muito mal educada.

Mas voltando à primeira história... ministério do louvor, gente??? Odeio música de igreja, nunca gostei! Prefiro não ouvir música nenhuma. Odeio cantar, todo piano mal pra cacete e tenho tendinite (logo, duas músicas no piano = uma semana aleijada de um braço). Deus me livre de sair por aí de saia jeans e tamanco cantando "o anjo da vitória chegou..."!
Evangélicos queridos... eu não os odeio. Mas por favor, me deixem em paz!
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Zen de academia

A Secretaria agora está com uma política de valorização do caléga. Traduzindo: nós temos um salário de fome sem reajuste há 13 anos - corrijo... ganhamos um suuper reajuste do tio Serra: entre 100 e 200 reaizinhos por 13 anos sem aumento – mas temos tai chi chuan de manhãzinha e teatrinho vez ou outra sobre temas pé no saco, ou melhor, politicamente corretos.

Ontem tomei meu café no refeitório e quando saí tinha alguns calégas de saltinho e calça social + terninho fazendo seus movimentos de tai chi ao som de algum cd de banca de jornal new age.

Aí eu fico pensando se alguém se encontra praticando tai chi, ioga, meditação e todas essas coisas estilo karma-cola. Olha, eu só vejo artista-é-o-caralho fazendo essas coisas na revista Caras e dizendo que sua vida mudou depois das práticas, que voltou da Índia apaziguado, que acende incenso e coloca musiquinha dos aborígenes tchambuli da Nova Guiné para conhecer a si mesmo. Essa gente tenta esvaziar a cabeça pra meditar... esvaziar o quê, se lá dentro só tem vento?

Nada contra ioga e tai chi. Eu adoro tai chi. Mas só isso não garante a paz de espírito de ninguém... no máximo um corpinho mais sarado e mais calminho. Ninguém vai descobrir o sentido do universo só assim. Ou alguém aí consegue imaginar Spinoza de pijaminha de seda e musiquinha chinesa nos campos holandeses?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rapidinhas calégas

Funcionário público é tudo igual. Só muda o endereço. Novidade!

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Caléga vem justificar seus atrasos diários de quase uma hora:

"Se todo mundo chegar na hora, a gente não precisa de chefe. Então precisamos preservar o cargo de alguém que precisa, né?"

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Eu chego na hora todo dia e faço todo o trabalho. Neguinho chega atrasado, me vê sem fazer nada (porque já fiz todo o trabalho... inclusive parte do trabalho dele) e reclama porque eu não faço nada. Die!

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Chegou um requerimento aqui de um tal de Creuso. CREUSO!!!

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Eu não chego cedo porque sou boa funcionária (praise me todos os povos da Terra). É porque acho uma falta de respeito com aqueles que chegam no horário.

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O balanço orçamentário de Santos deve ter umas 1000 páginas. Pois tem cidade (Palestina... isso é nome de cidade? Onde fica isso, mudeuzo?) que tem relatório de... 5 páginas! O que é isso? A cidade tem um prefeito, um vereador e dois eleitores (as mulheres dos dois)?¹

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Gente me enchendo o saco pra prestar o concurso pra Fiscal de Rendas porque tenho nível superior. Fiscal? Essa gente que vez ou outra se joga no vão da escada de 18 andares daqui porque recebe ameaça de Coca Cola e Cia.?² O salário é bom but no, thanks.

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¹Palestina é só uma ilustração e não tem necessariamente um balanço orçamentário de 5 páginas (acho que ela tem 2 páginas, incluindo capa), tá gente? Falo porque essa gente é sensível, e daqui a pouco tem ofício do prefeito pedindo minha exoneração (seria o acontecimento do mês na prefeitura, não?). E se o prefeito chamar-se Creuzo, tô phodida!

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²Gente, Coca Cola também é só pra ilustrar, tá? Não ameacem minha família! Eu não sei de nada! Corre, mãe!!!!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Estimulando a economia (a outra)

Outro dia a caléga me perguntou se tinha TV a cabo. Respondi que sim, pois minha mãe demorar para dormir porque sente muitas dores. Então ela fica assistindo filmes até a madrugada.

Mordi a isca. Ela arregalou os olhos como se tivesse encontrado o Michael Jackson vivo (no mesmo condomínio onde se escondem Elvis e Hitler).


"Nãaaaaaaooo. Não precisa de TV a cabo! Olha só... no SBT tem filme até tarde da noite, depois na Globo também tem filmes até a madrugada!"




Pronto. Choquei a caléga com meus gastos astronômicos.


Há meses cheguei toda feliz de roupa nova no trabalho, porque eu sou fashion, benhê. A caléga então veio me dar conselhos importantes:

"Você não precisa comprar roupas novas! Na verdade, a gente tem tudo o que precisa em casa!"

Ela dizia isso enquanto cerzia uma saia e usava uma tailleur laranjão, com ombreiras de dar inveja à Balmain e botões dourados. Ah, minha infância oitentista...

Agora aprendi. Hoje me perguntou já assustada se o meu vestido é novo. "Novo? Não... comprei no verão. É que amarrei a gola de forma diferente, por isso você não se lembra dele." Fiz um caléga respirar aliviado hoje, praise me.


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ps: pergunta se eu tenho coragem de gastar 600 reais na mini-TV que a caléga tem em cima da mesa do trabalho para acompanhar Vale a Pena Ver de Novo, pergunta!
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Argh!

Se tem uma coisa que abunda nesse prédio em que trabalho, são as baratas (o segundo lugar fica com papelada velha e o terceiro com gente vestindo roupas dos anos 80-90). Ficou com nojinho, bem? Eu também. Ainda não me acostumei. Elas surgem no lixo, no meio dos envelopes novos, nas frestas, nas gavetas, na sua necessáire.


No começo tinha ataques cada vez que via uma delas. Ou seja, quase todos os dias. Até perceber que sempre tinha algúm caléga que me dizia:





"Mas é apenas uma baratinha!"



Como assim? Não existe "apenas uma baratinha". Barata é barata: motivo para gritos, desespero, automutilação (agora é junto?). Pensei na época se não seriam elas a razão para o alto índice de loucura e suicídios no prédio. Mas meus calégas nem se importavam com elas. Alguns até se afeiçoam aos bichinhos. Só faltava trazer um aquário de casa e criar uma fazendinha de baratas.


Então eles - já especialistas nas pequenas - me explicaram que aquelas eram "baratinhas de papel" e nem eram sujinhas. Explico: são baratinhas que se criam no meio de tanta papelada acumulada, e morrem aí mesmo. Algumas são até albinas (depois de tantas gerações sem ver a luz do sol? O próximo passo é... nascer sem olhos, como os peixes abissais?), a coisa mais nojenta que já vi.


Mas fizeram uma reforma na minha sala e jogaram fora as antigas mesas de madeira. Então descubro também que as baratinhas gostam mais dos móveis antigos, porque são mais quentes (?). E com eles, boa parte das baratinhas foram embora. Encontrei a primeira semana passada, depois de 5 meses de mudança.


Mas teve caléga aqui que ficou solitário que só vendo...
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

O funcionalismo público: padecendo no paraíso

Lembro-me bem das minhas expectativas quando fui nomeada para um cargo público numa secretaria do estado de São Paulo. Tivemos um "curso de integração" infame de dois dias, com dinâmica de grupo, teatrinho, momentos fala-que-eu-te-escuto de muita emoção e apresentação da própria secretaria onde trabalharíamos. Nem preciso dizer que a maior parte dos nomeados estava empolgada, achando que iria trabalhar com questões importantes, dar carteiradas por aí e se exibir para os parentes: "Creuzinha trabalha lá naquele prédio bonito no centro da cidade!" "Nooooossa, Cráudia! Sua filha se deu bem na vida, hein!". Tudo isso sem a preocupação de uma possível demissão.
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Dois meses depois já descobrimos que passaríamos o resto da vida numerando e rubricando páginas de processos (os mais sortudos... alguns carimbam e tiram grampos o dia inteiro), com funcionários beirando os 60 anos e já um tanto surtados (uma das minhas "calégas" chega no trabalho com uns 4 bobes na cabeça... cada um de uma cor) por tantos anos de carimbo num prédio velho e cheio de baratas e sendo alvo do olho gordo dos que só têm cargos em comissão.



"Bom dia, caléga! Como foi seu fim de semana?"



O mesmo deve acontecer quando for nomeada oficial de chancelaria. Achávamos que seríamos um mini-diplomata (sem o concurso absurdamente difícil), viajando pelo mundo e - quem sabe - fazendo um pouco de política externa. Ledo engano. O trabalho é administrativo (isso inclui alguma papelada, carimbos, atender telefonemas, resolver pepinos sobre a distribuição do pó de café do MRE, matricular filhinho de embaixador estrangeiro na UNB...), e talvez o auge da emoção na vida de um ofchan seja visitar um preso brasileiro numa prisão tailandesa.


Mas... e a carreira diplomática? A gente sonha com uma vida regada a champanhe, viagens, imoralidade e luxúria e negociações internacionais. Tem neguinho que acha que vai salvar subir na mesa do presidente dos Estados Unidos e gritar "Fora ALCA e FMI!" e salvar a pátria, outros acham que darão festinhas em Paris com cascatas de Ferrero Rocher (ai, que mega chique, Creuza!), e há ainda os que acham que usarão todo o conteúdo exigido no concurso e realmente farão... política externa.
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Eu não tenho tantas expectativas. Mas ainda assim curto o funcionalismo público. Porque ele me permite continuar com projetos paralelos. Entrei na Secretaria e usei o (longo) tempo ocioso para estudar para outros concursos: usei a biblioteca daqui, na hora do almoço caçava os livros nos sebos do centro e estudei muito na mesa de trabalho na maior cara de pau (afinal quem vai me despedir, hein?). Passei num concurso, tomarei posse em breve e por enquanto ainda continuo aqui. Mas ainda estudo durante o expediente, acho os livros do Magnoli por precinhos camaradas nos arredores e ainda recebo um salário por isso. Quero deixar claro que nem por isso atraso meu trabalho ou deixo de fazê-lo, hein! Sou responsável. Mas o trabalho é pouco, e uso o tempo restante.
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Enfim... se você é folgado como eu, tem um diploma que não vale muito no mercado de trabalho e gosta de estudar, o funcionalismo público é o seu lugar. Mas já sabe como isso termina, não é, caléga?
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