segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Mudei de ideia
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Enquete
a) Muito obrigada pelo período de aprendizado. Tenho certeza de que essa experiência me ajudará muito nessa nova etapa da minha vida.
b) A gente se vê por aí... se algum dia você tiver capacidade pra passar em algum concurso em Brasília. Mas até lá eu já estarei em Paris.
c) A gente se vê por aí... se você der a bunda pra algum deputado e ganhar um cargo em comissão em Brasília.
d) Morra de inveja, seu %**$*&##! Enfia essa Secretaria no *%#$@&*! A essa altura, já deve caber.
e) Agora eu vou no Departamento de Recursos Humanos contar que você chega meio-dia todo dia e coloca outra pessoa pra fazer teu trabalho e que fica o dia inteiro no telefone com os teus casinhos, posso?
f) Esse teu cabelo chanel alisado com enê maru te deixa com cara de bicha pobre cafona.
g) Tchau. Mandarei postais.
***
Isso dá uma idéia do meu dia hoje?
.
ps: estreando nova tag: Geni du jour
.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Moda caléga
E como um dos últimos concursos daqui foi na década de 90, imaginem vocês o que presencio todos os dias. Agora mesmo, por exemplo: tailleur anos-90-te-chamam azul celeste, meias finas cor da pele 2 tons acima e sapatos brancos de bico fino. Nos cabelos, uma singela piranha verde limão.
[Nada contra bico fino, mas não fazem o meu tipo. Muito "uniforme da empresa de purificadores de água na Paulista" pro meu gosto. Principalmente aqueles tão finos que as pontas até ficam meio amassadas. Se tiver um zíper pra enfeitar, então... passem longe de mim!]
Aqui vai uma lista das sooper tendências daqui e umas fotos pra você se inspirar. Quem quer ser caléga já vai dando um up no guarda-roupa:
- Calça jeans com bordados e apertada pra burro, blusinhas bem soltas que deixam os ombros à mostra ou bem decotadas, cabelos minha-chapinha-não-funciona-mas-eu-tento, brincões de argolas e sandália com salto plataforma de cortiça. Variação: estampas de oncinha e botas super poderosas. Muitas puseiras e anéis. Sonham com um namorado que as leve para passear no Vectra deles. Ou as leve para morar num bairro mais chique, porque moram looonge. E ai deles se não devolverem o chip delas!
Essa já conseguiu o marido e agora se diverte no shopping. Exemplo de perseverança.
- Calça jeans, jaqueta quero-ser-michelin e tênis de corrida: inspirada na moda das ruas (street fashion bombando). Às vezes uma bota pata-de-bode (coisinha chique, não?). Cabelos: presos com um bico-de-pato ou emplastados de Kolene. Independe de idade, infelizmente (mas não recomendo se tiver mais de 22 anos). As mina na fita...

Melhor ainda se a plataforma for vazada com um desenho de flor
- Calça social apertada que nos permite adivinhar a marca e o lote da calcinha e contar furinhos de celulite. Camisa branca feminina com um decote que parece dizer "chefinho, dá um cargo em comissão pra eu?". Óculos escuros bafônicos segurando os cabelos e bronzeamento artificial sempre em dia. Sandálias ou sapatos de bico fino de salto o ano inteiro. Geralmente solteiras depois dos 30 anos. Gostam de passar uma imagem profissional (só erram nos tamanhos das roupas). Sonho: ser amante do chefe.
- Blusas em linha com miçangas bordadas nas golas. Quanto mais exagerado o bordado, mais as velhinhas piram de amores. Algumas sacoleiras vendem aqui dentro mesmo, ou são compradas na "loja dos crentes" na General Carneiro. No verão, são substituídas por batas. Acompanham calças bem comportadas ou saias jeans com detalhes. Geralmente são mães e avós.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Vade retro...
- Você continua arquivando os despachos nas pastas erradas!!!
E eu espantada? Poxa, estou prestando tanta atenção!
- Sério?
- É claro!! Se eu não estou achando o despacho que estou procurando, é porque você deve ter arquivado errado de novo!
Ahvaiprapootaquepariufiladumaéguatomaumavoadoradelouboutin...
-Ah, tá bom.
Dei as costas e continuei escrevendo meu e-mail.
Dios! Me desculpei, estou prestando mais atenção, prometi o harakiri. Quer que faça mais o quê?? Me juntar a outros pecadores e empesteados numa peregrinação à Terra Santa pra me redimir?
O despacho foi encontrado em outra sala, e não foi arquivado errado. Mas a essa altura já estava longe com o peregrino Zenone e ela não pode me pedir desculpas, coitada.
.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Resoluções de culto evangélico
.
Então sai da igreja e quase quebra o pescoço pra olhar pra saia curta da loira que passa na rua.
.
Pois eu faço coisa parecida todo dia... em vez de ter resoluções só no ano novo e aniversários, preciso tomar decisõezinhas na minha vida pra deixar de ser menos neurótica o tempo todo.
Resoluções du jour:
Em vez de remoer problemas, procurar uma solução. Geralmente é mais simples do que se pensa.
Não perder neurônios com quem não merece. De que adianta pensar nessas pessoas se a força do seu pensamento não as fará explodir?
Não é pra ficar tentando ser melhor, fazer mais caridade e menos fofoca. Mas tentar não ligar pra picuinhas. De que adianda beijar mendigo e ficar pensando que aquela caléga de trabalho deve estar tendo um caso com o chefe?
Não imaginar situações que talvez (TALVEZ!), num presente ou futuro ou passado existam ou tenham existido e sofrer horrores imaginando todos os detalhes da cena.
Ignorar que existe uma anta vigiando a tela do meu computador agora. Afinal, ele deve estar no Orkut.
Não ficar puta da vida se Lu desmarcar o encontro de hoje.
Não gastar dinheiros a mais na 25 de março na hora do almoço (só se fôr o Top Coat Matt Plus da Big Universo... rapazes, procurem no google).
Não tentar explodir mentalmente a cabeça dessa mulher que teve um piti no meio do sexto andar só porque arquivei papéis na pasta errada. Pedi desculpas, mas queria mais o quê? Um harakiri no saguão do prédio?
Lembrar que amanhã é sexta-feira e que a tortura irá acabar às 17:00 hrs.
***
***
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Fim de mundo, caléga?
[aliás, até hoje tem um CD "Axé Bahia" lá em casa com duas bundas na capa usando shortinho de Carla Peres. Alguém levou ao aniversário de 12 anos do meu irmão há trocentos anos atrás e esqueceu. Aposto que o dono esquecido não foi atrás com medo de ser identificado com tamanho mau gosto.]
Então a caléga vem aqui na minha mesa jogar conversa fora. É a única caléga para quem eu conto as coisas, porque ela não é invejosa e não passa pra frente porque acha que todo mundo vai usar isso contra ela um dia (paranóia é pouco). Então ela pergunta:
- E o que você vai levar de presente pra sogra, hein?
[Ela se empolga com a minha vida. A dela é muito chata.]
- Ah, estou pensando em levar um jogo de cama bordado.
Porque eu fiz um curso de patchwork e aprendi um bocado de coisas. Bordo, faço tricô, crochê, assovio e chupo cana. E eu sempre faço apliques de tecidos recortados em formato de flores e outras coisas fofas e mamãe faz o caseado em volta. Fica um chuchuzinho de fofo. Todo mundo gosta de ganhar de presente, e patchwork é um troço caro pra caramba por aí. Será que um jogo de cama 300 fios não é um presente bom?
Mas caléga fez careta:
- Ah, não! Isso tem de monte lá no Nordeste! Todo mundo lá faz bordado, faz renda... Leva uma coisa que não tem lá!
[Detalhe: caléga tem uma lista de justificativas para falar mal dos nordestinos. Ou melhor, "essa gente nortista", segundo ela. ]
Ok... coisa que não tem lá? Vamos ver... no Nordeste tem: comidas típicas e folgedos (livro de Estudos Sociais mode on), renda, latifundiários e seus filhos libidinosos, a família do Sarney e do ACM, fogão a lenha, casinhas caindo aos pedaços, chapéu de couro, fitinha do Nosso Senhor do Bonfim, devotos do padim padi Ciçu, mandacarus, gente falando mole, mamulengos, redes, pescadores, macumbeiros, cachorros com nome de Baleia, repentistas pé-no-saco, forró, terra rachada de secura, cabeçudos e pobreza, muita pobreza.
Certo?
Então vou levar uma coisa que não tem lá. Que tal... um liquidificador??? Xi... será que tem tomada pra ligar? Será que vão saber o que é patchwork?
Poxa vida... em Recife tem Livraria Cultura, e pra mim isso já é sinal de civilização avançada. Inclusive tô com uma lista de coisas para comprar em lojas de lá que não têm nada igual em Sampa City (e não são lojas de bibelôs e outros porta-pós-na-estante locais). Tem shoppings bapho, tem internet (ohh, pasmem!), tem moda e até similares da Daslu (oi, Dona Santa?). Lá também tem gente rica e tem até classe média que paga pacotes da CVC pra Serra Gaúcha ou pra Buenos Aires! Ou seja... tem tudo o que tem aqui, só que eles não falam com o nariz entupido como nós paulistââânos, meu.
Só não têm 25 de março. Morram de inveja.
Fim de mundo é Itajuba-SC, que há dez anos só tinha uma sorveteria e uma coisa que eles chamavam de shopping que era um galpão com stands de bijuterias e roupinhas de praia vagabundas que abria às 16:00 hrs (sim, QUATRO DA TARDE!). E hoje em dia tem uns 3 barzinhos no centrinho, graças a Deus.
[E nos anos 90, loiras locais dançando axé na varanda de casa].
Já sei! Vou levar um pen drive de 64 gigas do marreteiro do centro por 20 reais pra sogrinha. Aposto que isso não tem lá.
.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Lei da Mordaça ainda existe?
.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
A gente só quer ter dignidade!
Mas aqui na minha sala somente o meu cargo foi contemplado com o aumento. Adivinha? Neguinho odiou, disse que queria que essa aumento explodisse (beesha adora ver tudo explodindo, virando purpurina!) porque ele não teve aumento. Outra caléga (a invejosa) disse que isso não era justo, pois já tive um aumento no ano passado e agora outro. E ela, que faz o mesmo serviço que eu (ou seja, porra nenhuma) não teve aumento porque o cargo dela é em comissão e específico da Secretaria.
Primeiro, meu cargo não tinha aumento há 13 anos. E vocês sabem o que é salário congelado por 13 anos no Brasil? E te torturar lentamente. Então ano passado tive um aumento (tio Serra, meu salvador, vou fazer uma poesia pra ti... NOT) de menos de 200 reais.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Desventuras públicas: inveja
Tá, isso está parecendo cardápio de igreja Universal. Só não incluo os problemas financeiros porque esses já são subentendidos: demora uma era pra funcionário público ter aumento. E quando tem, é o suficiente pra comprar um sorvete a mais no fim de semana. Não pode mais porque o governo nunca tem dinheiro sobrando (precisa pagar passagem de primeira classe pra governador, secretários e amantes) e porque a imprensa cai matando (imprensa reacionária não gosta de funcionário público porque eles "já ganham muito, são folgados e são muitos"... enfim, porque Governo não é empresa privada).
.
Mas se você, caro neófito, é jovem e não tem filhos... cuidado com o olho gordo! Quem tem mulher e filhos pra criar já gasta todo o seu salarinho com eles e no fim de semana vai comer Mc Donald's no shopping, e nas férias vai pra colônia de férias do sindicato. Já os solteiros... podem ter algum dinheiro sobrando, dependendo do salário. Pior os que ainda moram com os pais e não têm dívidas para assumir, tendo todo o salário à disposição.
.
Olha... eles não têm culpa de não terem se casado e tido filhos. Nem são malvados porque não querem doar o excedente do salário para a caridade. Esses calégas mais jovens, portanto, vão sair com os amigos nos fins de semana, comprarão roupas legais, aparelhinhos eletrônicos e nas férias viajarão pro Nordeste, pro litoral norte, pra serra gaúcha... pagarão a CVC em 10 vezes sem juros e nem ficarão no vermelho.
.
[Olha, meu salário é uma miséria. Mas eu pago algumas coisas lá em casa e tenho o resto pra mim. dá pra comprar ao menos uma peça nova de roupa por mês, um livro, produtinhos de beleza e dá pra comprar passagem em promoção pra passear nas férias.]
.
O que seus calégas pensarão de tanto esbanjamento? Eles vão odiar, porque não têm mais o que fazer. E muitas vezes até recebem mais e sobra mais pra eles, mas preferem gastar num celular que toca música, tem tv a cabo e dança macarena.
.
.
Conselho: disfarcem. Não contem destino de férias, e se voltarem bronzeados falem que estava o maior furdunço em Praia Grande e você assistiu o show do Revelação na areia.
Imprima colorido e diga que você está dentro do carro, na direção: férias comprovadas!.
Desventuras públicas: medo e outros encostos
Porém, quando se entra através de um concurso público, as coisas podem complicar. Primeiro, porque nem todos os seus calégas são concursados. Alguns deles terão cargos em comissão, que são necessários para serviços mais especializados ou chefia. Acontece que nem todos os cargos em comissão são lá muito úteis: alguns deles são apenas cabide de emprego.
E alguns dos calégas com cargos em comissão não fazem diferença nenhuma ali dentro (não generalizo, mas isso acontece). Eles não são mandados embora porque estão lá há muito tempo e se transformando em patrimônio físico do órgão público, porque tem filhos, marido doente ou um bom padrinho.
Então você chega com um cargo efetivo. Essa pessoa está sobrando. Ela naturalmente ficará na defensiva... a tendência atual é substituir comissionados por concursados, e o cerco está se fechando (bem lentamente, como tudo o que envolve a administração pública). Então ela pode tentar prejudicá-lo ou mostrar que o serviço dela é mais relevante do que o seu. Ela vai trabalhar direito, então? Não... vai tentar provar que você é que é incompetente: se puder vai te dar o serviço mais imbecil da repartição, ou te dará serviço sem te ensinar como se faz. Chamará a tua atenção cada vez que cometer um erro mínimo (carimbar dois centímetros acima do lugar do papel a ser carimbado) e fará a cabeça do caléga-mor contra o novato.`
O papel do funcionário com cargo em comissão pode ser substituído pelo estagiário, que tem prazo para sair de lá mas tem esperanças de se formar e abocanhar um cargo em comissão.
Quanto menos concursados tem um órgão público, mais recorrente é esse problema do medo em relação aos novos funcionários.
.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Desventuras públicas em série: a recepção
.
Os comentários podem até mesmo ser mal-educados:
Nem sempre nós largamos. Às vezes nos largam, hehe. Aí fazemos o que aparecer para continuar vivendo, inclusive concursos públicos. E também há aqueles que preferem ganhar menos e ter estabilidade, um trabalho menos estressante. De qualquer forma, seus motivos para estar ali são problema seu e de mais ninguém!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Novela caléga
----
Roberto de la Vega era um diretor de uma repartição pública, assim como Maria Josefina. Ambos eram casados, mas esses dois calégas tornaram-se amantes. Maria Josefina era uma chefe muito má: não deixava seus funcionários chegarem atrasados sem descontar (reação de calégas ouvindo esse absurdo: OOOHHHH!!!) e ninguém gostava dela.
Até que um dia o marido de Maria Josefina, Alberto José, descobriu que a mulher o enganava. E planejou uma vingança...
Um dia Maria Josefina e Alberto José foram para Acapulco (A.K.A. Praia Grande), mas curiosamente Alberto José quis que fossem em carros separados. Em plena Serra do Mar, o carro de Maria Josefina não obedece mais seus comandos e os freios falham... seu carro sai da pista e capota serra abaixo.
Mas Maria Josefina não morreu! Ficou tetraplégica, e a partir daí dependente do marido. Ela não podia acusá-lo de nada, pois mal conseguia se expressar. Roberto de la Vega a abandonou completamente, e arranjou outra amante caléga.
Alberto José então passou a administrar os bens da mulher traíra e ainda assumiu a responsabilidade por seus sogros. Passou a maltratar os sogros velhinhos na frente de Maria Josefina, que nada podia fazer.
E foram infelizes para sempre.
---
Televisa, pode dar uma passadinha aqui. Garanto choro e ranger de dentes.
.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Vergonha alheia!
.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Eu tenho uma missão!
Ontem quis enrolar o trabalho e fui tomar um café. Alguns faxineiros vem aqui na minha sala tomar café todos os dias, e ontem não foi diferente. Mas havia uma que eu não conhecia, talvez fosse de outro andar. Então essa me pergunta, séria:
- Você é evangélica?
Respondi que não. E fiquei apreensiva com o que viria logo depois. Ela continuou, mais séria ainda e apontando o dedo pra mim:
- Pois Deus mandou eu te dizer que Ele tem grandes planos pra você. Ele vai te colocar num lugar pra engrandecer o nome dEle e não vai te tirar de lá. E vai ser no ministério do louvor.
Olha, não foi nem cara de paisagem que fiz... foi cara de bunda, mesmo. O quê se responde numa situação dessas?? Eu murmurei um:
- Ah... tá bom. Deixa eu voltar pro trabalho...
Mas antes ela perguntou meu nome... e o pior é que tenho o mesmo nome de uma cantora evangélica chata pra burro. Murchei. Queria que o chão me engolisse. Porque eu não discuto religião com ninguém, mesmo que tenha argumentos. Eu é que não vou destruir o mundo de ninguém. Saí de fininho.
Essa não é a primeira vez que evangélico pega no meu pé. Há alguns anos passei o Natal na casa de conhecidos. Mas esses conhecidos tinham uma parente com eles... que já estava bêbada antes da ceia. Afinal, o marido a tinha trocado por uma moça mais nova e ela estava se recuperando ainda. O problema é que ela cismou comigo e me contou a história mil vezes. E eu sou educada até demais... ouço e não tenho coragem de dar desculpa e sumir. Se eu ganhasse um real por cada vez que ouvi um "então eu disse pra vagaba: rebolou pro meu marido, vai ter que rebolar pra mim tambéeeeeem!" (detalhe: tudo isso contado com sotaque carioca de baile funk) (detalhe 2: ela disse isso antes de dar um cacete na mulher que roubou o marido dela).
Até aí tudo bem... é mais um bêbado que cisma comigo (por quê bêbado gosta de importunar quem não bebe? Eles olham pra mim e já vem cambaleando pro meu lado... pareço ímã de bêbado). Mas quando chegou a hora da ceia ela interrompeu e disse que era evangélica (!!) e faria uma oração (!!!). Vocês sabem o que é um evangélico bêbado rezando por dez minutos, meus irmãozinhos em Cristo? Eu sei. Ela levantou as mãozinhas pra cima e começou:
- Senhor! Abençoe esta família, Senhor! Senhor! Tu sabes os problemas que eles enfrentam, Senhor! Derrame as tuas bênçãos sobre eles, protege os passos deles, Senhor! Senhor! Toca o coração de cada um aqui, para que todos se convertam ao tEEEEEEU PODEEEER, SENHOR!...
E isso por mais um bom tempo. Alguns não aguentaram e começaram a rir. Eu nunca segurei tanto o riso, acho que me fez até mal. E quando terminamos, ela ainda veio na minha direção e fez a pergunta falta:
- Você é evangélica?
E eu, que não aprendi ainda, disse que não. Ela olhou séria, pegou na minha mão e continuou:
- Pois eu senti enquanto orava que Deus te tocou, minha irmã.
Sim, tocou e fez cócegas, porque eu me segurei pra não gargalhar e ser muito mal educada.
Mas voltando à primeira história... ministério do louvor, gente??? Odeio música de igreja, nunca gostei! Prefiro não ouvir música nenhuma. Odeio cantar, todo piano mal pra cacete e tenho tendinite (logo, duas músicas no piano = uma semana aleijada de um braço). Deus me livre de sair por aí de saia jeans e tamanco cantando "o anjo da vitória chegou..."!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Zen de academia
Ontem tomei meu café no refeitório e quando saí tinha alguns calégas de saltinho e calça social + terninho fazendo seus movimentos de tai chi ao som de algum cd de banca de jornal new age.
Aí eu fico pensando se alguém se encontra praticando tai chi, ioga, meditação e todas essas coisas estilo karma-cola. Olha, eu só vejo artista-é-o-caralho fazendo essas coisas na revista Caras e dizendo que sua vida mudou depois das práticas, que voltou da Índia apaziguado, que acende incenso e coloca musiquinha dos aborígenes tchambuli da Nova Guiné para conhecer a si mesmo. Essa gente tenta esvaziar a cabeça pra meditar... esvaziar o quê, se lá dentro só tem vento?
Nada contra ioga e tai chi. Eu adoro tai chi. Mas só isso não garante a paz de espírito de ninguém... no máximo um corpinho mais sarado e mais calminho. Ninguém vai descobrir o sentido do universo só assim. Ou alguém aí consegue imaginar Spinoza de pijaminha de seda e musiquinha chinesa nos campos holandeses?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Rapidinhas calégas
***
Caléga vem justificar seus atrasos diários de quase uma hora:
"Se todo mundo chegar na hora, a gente não precisa de chefe. Então precisamos preservar o cargo de alguém que precisa, né?"***
Eu chego na hora todo dia e faço todo o trabalho. Neguinho chega atrasado, me vê sem fazer nada (porque já fiz todo o trabalho... inclusive parte do trabalho dele) e reclama porque eu não faço nada. Die!
****
Chegou um requerimento aqui de um tal de Creuso. CREUSO!!!
***
Eu não chego cedo porque sou boa funcionária (praise me todos os povos da Terra). É porque acho uma falta de respeito com aqueles que chegam no horário.
***
O balanço orçamentário de Santos deve ter umas 1000 páginas. Pois tem cidade (Palestina... isso é nome de cidade? Onde fica isso, mudeuzo?) que tem relatório de... 5 páginas! O que é isso? A cidade tem um prefeito, um vereador e dois eleitores (as mulheres dos dois)?¹
***
Gente me enchendo o saco pra prestar o concurso pra Fiscal de Rendas porque tenho nível superior. Fiscal? Essa gente que vez ou outra se joga no vão da escada de 18 andares daqui porque recebe ameaça de Coca Cola e Cia.?² O salário é bom but no, thanks.
***
¹Palestina é só uma ilustração e não tem necessariamente um balanço orçamentário de 5 páginas (acho que ela tem 2 páginas, incluindo capa), tá gente? Falo porque essa gente é sensível, e daqui a pouco tem ofício do prefeito pedindo minha exoneração (seria o acontecimento do mês na prefeitura, não?). E se o prefeito chamar-se Creuzo, tô phodida!
.
²Gente, Coca Cola também é só pra ilustrar, tá? Não ameacem minha família! Eu não sei de nada! Corre, mãe!!!!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Estimulando a economia (a outra)
Mordi a isca. Ela arregalou os olhos como se tivesse encontrado o Michael Jackson vivo (no mesmo condomínio onde se escondem Elvis e Hitler).

Pronto. Choquei a caléga com meus gastos astronômicos.
Há meses cheguei toda feliz de roupa nova no trabalho, porque eu sou fashion, benhê. A caléga então veio me dar conselhos importantes:
"Você não precisa comprar roupas novas! Na verdade, a gente tem tudo o que precisa em casa!"
terça-feira, 14 de julho de 2009
Argh!
No começo tinha ataques cada vez que via uma delas. Ou seja, quase todos os dias. Até perceber que sempre tinha algúm caléga que me dizia:

"Mas é apenas uma baratinha!"
Como assim? Não existe "apenas uma baratinha". Barata é barata: motivo para gritos, desespero, automutilação (agora é junto?). Pensei na época se não seriam elas a razão para o alto índice de loucura e suicídios no prédio. Mas meus calégas nem se importavam com elas. Alguns até se afeiçoam aos bichinhos. Só faltava trazer um aquário de casa e criar uma fazendinha de baratas.
Então eles - já especialistas nas pequenas - me explicaram que aquelas eram "baratinhas de papel" e nem eram sujinhas. Explico: são baratinhas que se criam no meio de tanta papelada acumulada, e morrem aí mesmo. Algumas são até albinas (depois de tantas gerações sem ver a luz do sol? O próximo passo é... nascer sem olhos, como os peixes abissais?), a coisa mais nojenta que já vi.
Mas fizeram uma reforma na minha sala e jogaram fora as antigas mesas de madeira. Então descubro também que as baratinhas gostam mais dos móveis antigos, porque são mais quentes (?). E com eles, boa parte das baratinhas foram embora. Encontrei a primeira semana passada, depois de 5 meses de mudança.
Mas teve caléga aqui que ficou solitário que só vendo...
.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
O funcionalismo público: padecendo no paraíso
"Bom dia, caléga! Como foi seu fim de semana?"
O mesmo deve acontecer quando for nomeada oficial de chancelaria. Achávamos que seríamos um mini-diplomata (sem o concurso absurdamente difícil), viajando pelo mundo e - quem sabe - fazendo um pouco de política externa. Ledo engano. O trabalho é administrativo (isso inclui alguma papelada, carimbos, atender telefonemas, resolver pepinos sobre a distribuição do pó de café do MRE, matricular filhinho de embaixador estrangeiro na UNB...), e talvez o auge da emoção na vida de um ofchan seja visitar um preso brasileiro numa prisão tailandesa.
Mas... e a carreira diplomática? A gente sonha com uma vida regada a champanhe, viagens, imoralidade e luxúria e negociações internacionais. Tem neguinho que acha que vai salvar subir na mesa do presidente dos Estados Unidos e gritar "Fora ALCA e FMI!" e salvar a pátria, outros acham que darão festinhas em Paris com cascatas de Ferrero Rocher (ai, que mega chique, Creuza!), e há ainda os que acham que usarão todo o conteúdo exigido no concurso e realmente farão... política externa.



