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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mudei de ideia

Porque estou inconformada e tinha que encher o saco de vocês.

Pra começar, dia 28 de outubro é dia do funcionário público. E isso significa... PONTO FACULTATIVO, é claro! Mas esse feriado vai cair numa quarta-feira, então geralmente mudam para uma sexta ou segunda, para dar um feriadinho prolongado.

Se o tio Serra passasse para o dia 30 de outubro, seríamos sexta, sábado, domingo e segunda (dia de Finados) de folga. Mas como o tio é maligno e deve ter pensado que esse puta bando de pobre não precisa de feriadão em fim de mês (só recebemos no quinto dia útil) porque não vai ter grana pra viajar, mesmo. Então ele passou o feriado para o dia 26 de outubro, próxima segunda. Teremos então dois fins de semana consecultivos seguidos de feriados.

Vocês devem estar pensando: "Deixa de ser folgada, porra! Tá reclamando de quê? Um feriado já não é melhor do que nenhum?" É claro que é. Por mim podia ser até na quarta, mesmo. Não vou viajar (sou pobre).

Mas nosso digníssimo governador, não satisfeito com isso, decidiu que os gabinetes das secretarias estaduais e os coordenadores NÃO TERÃO FERIADO. E onde a caléga aqui trabalha, amigos? No gabinete do Secretário, é claro. Ou seja... a amiga aqui vai acordar na segunda bem cedinho e vai colocar a carcaça branca pra trabalhar. Ou melhor, pra ficar na net o dia inteiro porque não vai ter porra nenhuma de trabalho (mesmo porque ninguém estará muito a fim).

 Portanto, calégas federais, pensem muito bem no seu feriadinho em 2011 quando votarem no ano que vem para presidente. Vota no PSDB quem quiser, mas se Serra for candidato... arrisquem. Eu já sei há muito tempo que esse Zé Vampir não é de Deus, e provo com esse flagra:



Chega perto dele com bafo de alho pra ver o que acontece!
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Moda caléga

Regra do funcionalismo público: a moda congela no ano em que você toma posse.

E como um dos últimos concursos daqui foi na década de 90, imaginem vocês o que presencio todos os dias. Agora mesmo, por exemplo: tailleur anos-90-te-chamam azul celeste, meias finas cor da pele 2 tons acima e sapatos brancos de bico fino. Nos cabelos, uma singela piranha verde limão.

[Nada contra bico fino, mas não fazem o meu tipo. Muito "uniforme da empresa de purificadores de água na Paulista" pro meu gosto. Principalmente aqueles tão finos que as pontas até ficam meio amassadas. Se tiver um zíper pra enfeitar, então... passem longe de mim!]

Aqui vai uma lista das sooper tendências daqui e umas fotos pra você se inspirar. Quem quer ser caléga já vai dando um up no guarda-roupa:


- Calça jeans com bordados e apertada pra burro, blusinhas bem soltas que deixam os ombros à mostra ou bem decotadas, cabelos minha-chapinha-não-funciona-mas-eu-tento, brincões de argolas e sandália com salto plataforma de cortiça. Variação: estampas de oncinha e botas super poderosas. Muitas puseiras e anéis. Sonham com um namorado que as leve para passear no Vectra deles. Ou as leve para morar num bairro mais chique, porque moram looonge. E ai deles se não devolverem o chip delas!

Salto pra quê, se toda hora a gente tem que descer dele? Plataforma é tudo!




Essa já conseguiu o marido e agora se diverte no shopping. Exemplo de perseverança.





- Calça jeans, jaqueta quero-ser-michelin e tênis de corrida: inspirada na moda das ruas (street fashion bombando). Às vezes uma bota pata-de-bode (coisinha chique, não?). Cabelos: presos com um bico-de-pato ou emplastados de Kolene. Independe de idade, infelizmente (mas não recomendo se tiver mais de 22 anos). As mina na fita...



Melhor ainda se a plataforma for vazada com um desenho de flor


Quanto mais michelin a jaqueta, melhor. Bombou em NY em 2004.


- Calça social apertada que nos permite adivinhar a marca e o lote da calcinha e contar furinhos de celulite. Camisa branca feminina com um decote que parece dizer "chefinho, dá um cargo em comissão pra eu?". Óculos escuros bafônicos segurando os cabelos e bronzeamento artificial sempre em dia. Sandálias ou sapatos de bico fino de salto o ano inteiro. Geralmente solteiras depois dos 30 anos. Gostam de passar uma imagem profissional (só erram nos tamanhos das roupas). Sonho: ser amante do chefe.



Vocês ainda não viram a parte de trás...



- Blusas em linha com miçangas bordadas nas golas. Quanto mais exagerado o bordado, mais as velhinhas piram de amores. Algumas sacoleiras vendem aqui dentro mesmo, ou são compradas na "loja dos crentes" na General Carneiro. No verão, são substituídas por batas. Acompanham calças bem comportadas ou saias jeans com detalhes. Geralmente são mães e avós.



Essa tá pobrinha, mas também tá linda




Geeente, que blusa linda é essa?






Quero todas as saias já! A assimétrica da direita é tendência!



- Ombreiras. E nem são peças Balmain. Acompanhadas de botões dourados. Dos grandes. Cores favoritas: pink, roxo, magenta, vermelho aberto. Estilo vintage dos pés à cabeça (se os anos 80 e 90 foram vintage).



Saudade dos meus 20 aninhos!



Ainda uma referência. Deusa!




Ainda tenho muito a aprender com eles, mas estou me esforçando.




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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tá dominado!


É impressão minha ou ele já enfileirou os chapéis ali atrás?


Quer café, suquinho ou chá?


Olha só o que nos espera, calégas ofchans...


Es nosotros en la película*

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*Para os chatos, já aviso que o erro é proposital.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lei da Mordaça ainda existe?

Porque talvez eu esteja infrinjindo a lei. Eu ia responder um comentário com outro comentário, mas preferi transformar em post.


Pra começar, minha implicância com o Serra é pessoal. Já o vi aqui na Secretaria e POUTZ, ele é feio, gente! Branquelo, corcunda... um Nosferatu com mais cabelinhos na cabeça.


[Na verdade eu não tenho simpatia por político nenhum, por partido nenhum]


Minha família é cheia de funcionários públicos. Tios avós, tios, minha mãe e eu. Todos concursados, diga-se de passagem. Então posso falar do que acontece aqui onde trabalho e sobre o trabalho da minha mãe e tios, embora mamãe e titias sejam enfermeiras (minha tia trabalha no SAMU e é campeã e resgate de bêbados que não têm o que fazer).


E, ao contrário do que todo mundo pensa, funcionário público trabalha MUITO e ganha uma miséria pra isso. Tem gente aqui que corre o dia inteiro, fica além do horário quase todo dia e não ganha hora extra. Ganha um vale alimentação de 4 reais por dia, não recebe todo o valor do transporte público que usa no mês e fica 13 anos sem aumento.


"Mas você vive dizendo que não faz porra nenhuma!"


Sim, eu não faço. Porque o trabalho aqui na minha seção é pouco e há muitos funcionários, porque meu chefe acha que se ele tiver muitos funcionários todo mundo vai pensar que a seção dele é importante. Eu faria bem o trabalho de 4 pessoas aqui e não ficaria sobrecarregada (como já fiz, quando resolvem faltar). Mas eu sou um caso à parte entre as pessoas que entraram comigo e batem cartão, tem uma horinha certinha pra almoçar, não recebem gratificação, etc. Além disso, eu trabalho no gabinete, onde o trabalho é mais burocrático do que no resto da Secretaria, e portanto mais lento e cheio de detalhes. Se não for detalhado e se não enchermos cadernos com processos que entram e saem e não arquivarmos tudo direitinho, não seria possível fazer uma investigação quando fizessem merda, certo?


Mas o que acontece especificamente aqui é que a maior parte dos cargos são cargos em comissão. E boa parte deles é cabide de emprego. E na boa... sobra gente. Mas não mandam embora porque um está aqui há muito tempo, porque o outro tem filhos, porque o outro sabe demais, blablabla.


E o perfil do servidor público está mudando. Há alguns anos a tendência é preparar melhor o servidor, dar prêmios por produtividade, avaliar o trabalho dele de tempos em tempos. Parece que procuram também aumentar o número de concursados e diminuir o número de cargos em comissão (porque às vezes esses cargos não são específicos e podem fazer um concurso pra ele). Então só entra quem passou pela avaliação - cada vez mais acirrada - do concurso, e não o cara que um funcionário indicou, o namorado da neta...


Os funcionários novos são mais dinâmicos, mais preparados. Os que entram em cargos de nível médio geralmente têm nível superior ou cursam faculdade. Muitas vezes tiveram experiência em empresas de grande porte. E bem lentamente a administração pública tem procurado deixar sua tendência burocrática para assumir uma postura mais gerencial.


No entanto ainda temos os funcionários pré-históricos. Não de idade, mas com uma cabeça de funcionariozinho que tem suas regalias, que faz tudo no ritmo que quer, que presta mais atenção nos detalhes do processo do que no processo como um todo. Vou exemplificar com frases que ouvi de calégas:


"Eu vou descansar 15 minutinhos antes do almoço e 15 minutinhos depois do almoço" (ué, hora de almoço já não é pra descansar? Ou você come tão afobadamente que sua feito um porco e se cansa?)


"Chefe precisa ter suas regalias. Ele não está aqui pra trabalhar, está aqui pra mandar. Ele pode chegar mais tarde e sair mais cedo." (Até onde sei o chefe trabalha tanto ou mais do que os outros. E se ele só serve pra mandar, que pelo menos chegue cedo pra fiscalizar o serviço dos outros. Mas se nem pra isso serve... chefe pra quê? Pra dizer pros amigos que ele é chefe?)


"Eu chego atrasada, mesmo. Se eu chegasse na hora a gente não precisaria de chefe. Então justifico o cargo dele." (hum... precisa comentar?)


Olha... se eu pudesse exonerava metade desse prédio e ele continuaria no mesmo ritmo. Tá, sou malvada, tenho mente capitalista e devo estar mentindo que odeio o Serra. Mas tem gente que não faz mesmo questão de trabalhar e empurra pros outros. E se ainda fosse concursado.... mas não, geralmente tem um cargo em comissão. Então, meu filho, ganhar salário pra não fazer nada... é jogar merda na cara do contribuinte.


O assunto vai longe, mas aos pouquinhos volto a ele num post ou outros. Porque criticar caléga é meu esporte diário.



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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desventuras públicas: inveja


Tá, isso está parecendo cardápio de igreja Universal. Só não incluo os problemas financeiros porque esses já são subentendidos: demora uma era pra funcionário público ter aumento. E quando tem, é o suficiente pra comprar um sorvete a mais no fim de semana. Não pode mais porque o governo nunca tem dinheiro sobrando (precisa pagar passagem de primeira classe pra governador, secretários e amantes) e porque a imprensa cai matando (imprensa reacionária não gosta de funcionário público porque eles "já ganham muito, são folgados e são muitos"... enfim, porque Governo não é empresa privada).
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Mas se você, caro neófito, é jovem e não tem filhos... cuidado com o olho gordo! Quem tem mulher e filhos pra criar já gasta todo o seu salarinho com eles e no fim de semana vai comer Mc Donald's no shopping, e nas férias vai pra colônia de férias do sindicato. Já os solteiros... podem ter algum dinheiro sobrando, dependendo do salário. Pior os que ainda moram com os pais e não têm dívidas para assumir, tendo todo o salário à disposição.
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Olha... eles não têm culpa de não terem se casado e tido filhos. Nem são malvados porque não querem doar o excedente do salário para a caridade. Esses calégas mais jovens, portanto, vão sair com os amigos nos fins de semana, comprarão roupas legais, aparelhinhos eletrônicos e nas férias viajarão pro Nordeste, pro litoral norte, pra serra gaúcha... pagarão a CVC em 10 vezes sem juros e nem ficarão no vermelho.
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[Olha, meu salário é uma miséria. Mas eu pago algumas coisas lá em casa e tenho o resto pra mim. dá pra comprar ao menos uma peça nova de roupa por mês, um livro, produtinhos de beleza e dá pra comprar passagem em promoção pra passear nas férias.]
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O que seus calégas pensarão de tanto esbanjamento? Eles vão odiar, porque não têm mais o que fazer. E muitas vezes até recebem mais e sobra mais pra eles, mas preferem gastar num celular que toca música, tem tv a cabo e dança macarena.
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Conselho: disfarcem. Não contem destino de férias, e se voltarem bronzeados falem que estava o maior furdunço em Praia Grande e você assistiu o show do Revelação na areia.


Temos até trilha sonora pras férias calégas sem inveja!


Imprima colorido e diga que você está dentro do carro, na direção: férias comprovadas!


Porque eu acredito em olho gordo.
Exemplo:
1) Nabita leva a mala de viagem pro trabalho porque saindo dali irá para a casa da amiga com quem viajará no dia seguinte pra Vitória - ES.

Caléga olha pra mala e diz: "Eita, inveja, hein!"

Resultado: Nabita perde o avião porque o alarme do celular que toca todos os dias não quis tocar naquele sábado.


2) Caléga jovem e solteiro compra uma moto. Calégas mais velhos olham torto: "Tá sobrando, hein!"

Resultado: moto roubada alguns meses depois.


Ok, podem ser coinciências... mas a vida de todo mundo aqui afunda perto de algumas pessoas: mulher perde o marido, rapaz leva chifre da namorada, time de futebol começa a perder, o filho cai na maconha...

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Desventuras públicas: medo e outros encostos

Não é necessário ser moreno, alto, bonito e sensual para ser um funcionário público vítima da inveja. Na verdade essas qualidades acima podem até te ajudar no Merr... - ops - em alguns órgãos públicos.

Porém, quando se entra através de um concurso público, as coisas podem complicar. Primeiro, porque nem todos os seus calégas são concursados. Alguns deles terão cargos em comissão, que são necessários para serviços mais especializados ou chefia. Acontece que nem todos os cargos em comissão são lá muito úteis: alguns deles são apenas cabide de emprego.

E alguns dos calégas com cargos em comissão não fazem diferença nenhuma ali dentro (não generalizo, mas isso acontece). Eles não são mandados embora porque estão lá há muito tempo e se transformando em patrimônio físico do órgão público, porque tem filhos, marido doente ou um bom padrinho.

Então você chega com um cargo efetivo. Essa pessoa está sobrando. Ela naturalmente ficará na defensiva... a tendência atual é substituir comissionados por concursados, e o cerco está se fechando (bem lentamente, como tudo o que envolve a administração pública). Então ela pode tentar prejudicá-lo ou mostrar que o serviço dela é mais relevante do que o seu. Ela vai trabalhar direito, então? Não... vai tentar provar que você é que é incompetente: se puder vai te dar o serviço mais imbecil da repartição, ou te dará serviço sem te ensinar como se faz. Chamará a tua atenção cada vez que cometer um erro mínimo (carimbar dois centímetros acima do lugar do papel a ser carimbado) e fará a cabeça do caléga-mor contra o novato.`

O papel do funcionário com cargo em comissão pode ser substituído pelo estagiário, que tem prazo para sair de lá mas tem esperanças de se formar e abocanhar um cargo em comissão.
Se você tem capacidade para fazer um bom trabalho, um abraço. Quando quiser dar a sua opinião, alguém vai dizer (na sua frente ou pelas costas): "Mal chegou, já está querendo mudar tudo??"
Aconteceu aqui: um rapaz entrou numa seção com pessoas legais que o valorizaram. Logo foi designado para uma função, começou a substituir a chefe nas férias dela. Mas outra seção que trabalhava diretamente com eles resolveu se amotinar contra o rapaz, porque ele "já queria mudar tudo, era metido a besta, achava que era doutor". E ele só pediu para retirar uma palavrinha nos ofícios.

Quanto menos concursados tem um órgão público, mais recorrente é esse problema do medo em relação aos novos funcionários.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Desventuras públicas em série: a recepção

Não, eles não receberão você de braços abertos para ajudá-los em suas tarefas árduas. Aliás, a impressão que passam é a de que não há motivo para o governo empregar ainda mais gente: "Mais um pra ficar aqui de braços cruzados?"
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Entenda: agora você é um dalit!




Nosso mascote!

Os comentários podem até mesmo ser mal-educados:
1) Se você tem curso superior e tomou posse de um cargo de nível médio, provavelmente ouvirá (como eu ouvi): "Mas você fez faculdade! O que está fazendo aqui? Devia procurar alguma coisa lá fora primeiro, e depois vir pra cá se não tiver mais nada!".
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Acontece, filhinho, que lá fora NÃO HÁ OPÇÃO! Você está aqui encostado há 30 anos e já perdeu a noção do mundo. E faculdade hoje em dia não garante emprego de ninguém. Com os Prounis da vida, todo mundo faz faculdade.


2) Se você tem uma vasta experiência profissional: "Mas se você fez tudo isso, por quê largou pra vir pra cá?"

Nem sempre nós largamos. Às vezes nos largam, hehe. Aí fazemos o que aparecer para continuar vivendo, inclusive concursos públicos. E também há aqueles que preferem ganhar menos e ter estabilidade, um trabalho menos estressante. De qualquer forma, seus motivos para estar ali são problema seu e de mais ninguém!


3) Se você é muito jovem: "Ih, se prepare para ficar aqui até os 70 anos...".

Animador demais quando você só está tapando um buraco da sua vida e não pretende ficar por lá. Porém, você tem possibilidades de sair, passar num concurso melhor ou até mesmo conseguir um cargo em comissão ou de confiança por lá. Quem diz isso não conseguiu nada disso, continua na mesma mesa fazendo a mesma função de merda e já torce desde já para que você termine como ele.



E tenha em mente a regra de ouro do funcionalismo público:
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"Quem chegar por último é a mulher do padre!"


Tradução: Não importa o seu currículo; se você fala inglês, francês e javanês e já foi alto executivo de uma puta multinacional. Você vai começar fazendo os piores trabalhos da repartição. Os antigos têm um prazer abertamente sádico nisso: é a única diversão para suas vidinhas desgraçadas. Tudo aquilo que eles odeiam eles jogarão pra você: numerar páginas de processo, tirar xérox de 400 páginas de uma vez, levar documentos para outras seções, fazer café. Alguns rirão pelas suas costas, outros na tua cara mesmo.


Ainda há a possibilidade de você ser ignorado totalmente. Eles simplesmente não te ensinam nem a ligar a máquina de xérox e você passa 8 horas por dia olhando pro teto durante um ou dois meses até que eles resolvam te ensinar algo porque um caléga vai entrar de férias e precisa ser substituído. Alguns deles ainda te olharão feio porque você não faz nada pra ajudar (!). E quando te ensinarem o serviço, ensinarão errado pra você fazer merda no começo e eles se divertirem um bocado depois de te darem uma bronca.

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Existe solução pra isso?


Sim, mas dependem da tua sorte:


a) Cair numa seção com pessoas legais. Acontece, mas não sonhe muito alto.


b) Ter um padrinho foda no mesmo órgão. Nesse caso, eles farão tudo mais sutilmente pra te prejudicar.


c) Unir-se aos neófitos que entraram no mesmo concurso que você: porque em breve vocês já estarão mais à vontade lá dentro e um ajudará o outro. Isso é importantíssimo! É uma solução a longo prazo.


d) Esperar outro funcionário novo entrar na sua seção. Foi o que me salvou. Então todas as tarefas de nojentas que me davam foram passadas para ele.
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Deve ter alguma vantagem nessa história toda. Mas na boa... agora não estou lembrando. Só que essa é uma série de desventuras, então falarei dos podres. Não digo que ninguém presta: fiz bons amigos, aprendi muita coisa a respeito da natureza humana e às vezes temos surpresas boas como uma proposta de cargo.
Só não vale ter espírito de escravo de Brás Cubas e castigar novos servidores quando você já tiver algum tempo de casa. Isso é coisa de gente infeliz.
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Desventuras públicas em série

Quem está no mercado de trabalho sabe como está difícil conseguir um emprego hoje em dia. E manter o que já se tem também. Por isso os concursos públicos estão cada vez mais concorridos e atraem quem deseja estabilidade, cuca fresca e - às vezes - um salário razoável.

Depois te tanto tempo se matando de estudar, dormindo menos, abrindo mão de festas e até do seriado favorito, é sempre uma alegria descobrir que foi aprovado num concurso público dentro das vagas.

A expectativa só aumenta quando fazemos os exames médicos e corremos atrás da documentação para tomar posse. Imaginamos como será nosso trabalho, como poderemos contribuir para ele, se nossos calégas serão legais. Infelizmente, na maioria das vezes, essa é a melhor parte da aprovação. Porque depois que entramos é uma desilusão atrás da outra. Não é à toa que funcionário público é conhecido pela sua falta de juízo.

Falarei aqui um pouco dessas desventuras para que ninguém seja pego desprevenido. Não são regras no funcionalismo público, mas infelizmente são histórias e tipos que se repetem mais do que deveriam. Pra começar, falarei da recepção aos novos servidores pelos mais antigos.

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